QUARTA SEMANA DA QUARESMA - TERÇA-FEIRA

Quarta Semana da Quaresma

Terça feira 

Primeira leitura Ez 47, 1-9.12

Evangelho Jo 5,1-16


Nesta passagem do quarto Evangelho é traçada uma nova elaboração cristológica, a nova fase de Jesus define-o não mais como o Messias, mas o Filho do homem e enviado do Pai. Esperavam os judeus, sinais divinos de um Messias, e Jesus propõe obras humanas e reivindica o título de Filho do homem. Desaparecem os sinais e dá mais ênfase às obras realizadas pelo enviado do Pai. Sabe-se que os milagres de Jesus não era facilmente revelados para serem entendidos, tinham que ser remetidos ao mistério da personalidade de Jesus e aqueles que planejam a morte de Cristo não entenderam a sua pessoa.
João então desloca seu olhar para inaugurar esta nova sessão do Evangelho. 
A sessão  conta-nos “a primeira obra daquele que veio da parte do Pai", a piscina de Siloé certamente fora construída sobre uma fonte dotada de valor curativo. 
O doente é apresentado numa situação de desespero, isto é típico em João, que remete  seus leitores a isto, para que possam entender que Deus manifesta seu poder além dos limites humanos. Ele ainda despoja a água de seus valores curativos: somente os poderes do homem-Deus é capaz de dar a vitalidade à água viva. O milagre foi realizado num sábado e os judeus são instruídos a não realizar nada no dia de sábado, não é que Jesus queira criticar esta norma, o fato de curar nesse dia tem como meta afirmar a sua autoridade que está acima do sábado e assim desvelar o mistério de sua personalidade e Ele realiza no sábado aquilo que somente Deus pode fazer.

Na concepção dos judeus Deus parava de trabalhar no sábado, interrompia a criação do mundo, desta forma neste dia não exercia sua atividade de juiz. Mas o milagre realizado por Jesus exerce um dia de julgamento, Ele realiza a obra de justiça no mundo resgatando aqueles que viviam as durezas da vida por causa de uma lei que oprimia. Portanto a cura do homem enfermo tem sentido judiciário e não cai sob a legislação do sábado.

 Este milagre tem duplo sentido de ponto de vista: Jesus viola as regras da natureza e as leis de Moisés, sua intenção era ir ao encontro dos infelizes e conceder a eles saúde e salvação, porém isto só é possível através do dom que recebeu de Deus. E o dom recebido não vem da metafísica que poderia explicar o mundo e seus fenômenos, os milagres são definidos por um poder divino, concreto, calcado sobre a existência humana onde nasce a fé. O poder de Deus não advém da vontade humana ou de magias, ele é ato gratuito que adentra a vida num momento livre e desejado. Obedecê-lo não é ver tudo como um pacote pronto e acabado, mas entender que é na vontade livre e pessoal de Deus que se faz o que lhe agrada.

Os milagres de Cristo esclarecem que a vida não é apenas uma casualidade natural ou ordem legislativa, é muito mais profundo do que isto, e que só pode ser alcançada mediante a gratuidade da decisão e da fé. 
O homem deve escapar da lei do determinismo se deseja receber milagres, porque quem se ampara aí corre o risco de ver os milagres como lei, o convite é crer que é na liberdade da relação entre Deus e o homem que se encontra o milagre, e aí estará Deus e o crente. 

Joacir A. Antunes

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