Conceito Colegiado Social

Uma renovada pastoral social para a promoção humana integral.

Os cristãos, como discípulos e missionários, são chamados a contemplar, nos rostos sofredores de nossos irmãos, o rosto de Cristo que nos chama a servir-lo neles: “Os rostos sofredores dos pobres são rostos sofredores de Cristo”. Eles desafiam o núcleo do trabalho da Igreja, da pastoral e de nossas atitudes cristãs. Tudo o que tenha relação com Cristo tem relação com os pobres, e tudo o que esta relacionado com os pobres clama por Jesus Cristo: Tudo quanto vocês fizeram a um destes meus irmãos menores, o fizeram a mim”(Mt 25,40). João Paulo II destacou que este texto bíblico “ilumina o mistério de Cristo”. Porque em Cristo o grande se fez pequeno, o forte se fez fraco, o rico se fez pobre.

De nossa fé e Cristo nasce também a solidariedade como atitude permanente de encontro, irmandade e serviço. Ela há de se manifestar em opções e gestos visíveis, principalmente na defesa e dos direitos dos mais vulneráveis e excluídos, e no permanente acompanhamento em seus esforços por serem sujeitos de mudança e de transformação de sua situação. O serviço de caridade da Igreja entre os pobres “é um campo de atividade que caracteriza de maneira decisiva a vida cristã, o estilo eclesial e a programação pastoral.

Assumindo com nova força essa opção pelos pobres, manifestamos que todo processo evangelizador envolve a promoção humana e a autêntica libertação “sem a qual não é possível uma ordem justa na sociedade”. Entendemos, além disso, que a verdadeira promoção humana não pode reduzir-se a aspectos particulares: “Deve ser integral, isto é, promover todos os homens e o homem todo”, a partir da vida nova em Cristo que transforma a pessoa de tal maneira que “a faz sujeito de seu próprio desenvolvimento”. Para a igreja, o serviço da caridade, assim como o anúncio da Palavra e a celebração dos sacramentos, “é expressão irrenunciável da própria essência”.

Portanto, a partir de nossa condição de discípulos e missionários, queremos estimular o Evangelho da vida e da solidariedade em nossos planos pastorais, à luz da Doutrina social da Igreja, com a preparação e compromisso dos leigos para intervir nos assuntos sociais. As palavras de João Paulo II nos enchem de esperança: “ainda que imperfeito e provisório, nada do que se possa realizar mediante o esforço solidário de todos e a graça Divina em dado momento da história, para fazer mais humana à vida dos homens, nada se perderá ou será inútil”.

As conferencias episcopais e as igrejas locais têm a missão de promover renovados esforços para fortalecer uma pastoral Social estruturada, orgânica e integral que, com a assistência e a promoção humana, se faça presente nas novas realidades de exclusão e marginação em que vivem os grupos mais vulneráveis, onde a vida está mais ameaçada. No centro desse agir está cada pessoa, que é acolhida e servida com cordialidade cristã. Nessa atividade a favor da vida de nossos povos, a Igreja católica apóia a colaboração mútua com outras comunidades cristãs.

Por fim, não podemos esquecer que a maior pobreza é a de não reconhecer a presença do mistério de Deus e de seu amor na vida do homem amor que é o único que verdadeiramente salva e liberta. Na verdade, “quem exclui a Deus de seu horizonte falsifica o conceito de realidade, e consequentemente só pode terminar em caminhos equivocados e com receitas destrutivas. A verdade dessa afirmação parece evidente diante do fracasso de todos os sistemas que colocam Deus entre parêntesis.

Fonte: Documento de Aparecida. Texto conclusivo da V conferencia Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe.